Futebol feminino: história, conquistas e valorização - KinesioSport

Futebol feminino: história, conquistas e valorização

O país do futebol foi palco recentemente de mais um feito histórico, pelos pés das atletas do futebol feminino que defende as cores do Timão, o Corinthians.

O marco de 28 vitórias seguidas, quando o clube venceu o São José por 1 a 0 pelo Campeonato Brasileiro, em agosto, foi registrado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). “Timão com uma grande marca. Corinthians chega a 28 vitórias consecutivas em todas as competições – um novo recorde mundial no futebol”, celebra o tweet da Federação.

A conquista, além de ser exaltada e reconhecida, serve para reacender o debate da valorização do esporte jogado por mulheres. Afinal de contas, 2019 tem sido um ano diferente na modalidade. Este ano ocorreu a Copa do Mundo, e também entraram em vigor as novas regras de licenciamento de clubes para os que desejam participar de torneios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Conmebol e Fifa. Para participar da disputa da Libertadores masculina, os clubes precisam ter uma equipe profissional feminina própria (adulta e base) ou se associar a outro clube que já possua.

A medida se enquadra diretamente no estatuto da Fifa, que exige posturas antidiscriminação (artigo 23) no futebol. A Federação cobra que os times e federações tomem medidas para impedir a desigualdade de gênero.

História do futebol feminino

Mas nem sempre foi assim. Para chegar em 2019, onde medidas são cobradas, as atletas enfrentaram muita resistência. Parece mentira, mas faz apenas quatro décadas (1979) que a prática foi liberada por lei no Brasil.  Desde 1941, o Decreto-Lei 3199, do governo de Getúlio Vargas, proibia a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”.

De acordo com a Fifa, a primeira partida oficial entre mulheres foi disputada no dia 23 de março de 1885, em Crouch End, Londres, Inglaterra. Os dois times foram divididos em Norte e Sul, representando duas partes da cidade.

No Brasil, de acordo com o Acervo Museu do Futebol, as primeiras referências de partidas de futebol disputadas por mulheres surgiram em meados de 1920, quando iniciaram no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte. 

O primeiro clube brasileiro a formar uma equipe feminina foi o Araguari Atlético Clube, de Minas Gerais. Em 1958 o clube selecionou 22 meninas para um jogo beneficente em dezembro deste mesmo ano. O sucesso desta partida foi tão grande, que a revista “O Cruzeiro” fez matéria de capa sobre o acontecimento. Outra data importante é a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino, que aconteceu em 1991 e foi vencida pelos Estados Unidos.

Valorização

Apesar de o Brasil ser o país da Rainha Marta, melhor jogadora de futebol (seis vezes – sendo cinco consecutivas), ainda não valoriza como deveria o esporte praticado por mulheres. Além do machismo e preconceito, os brasileiros ainda não se acostumaram com a presença feminina em campo.

É hora de quem gosta do esporte repensar o prestígio dado e valorizar o time feminino da sua cidade, assistir ao jogo na TV, e ensinar às crianças, independente de gênero, o gosto pelo esporte mais amado do mundo.

Nas redes sociais, As Mulheres de Arquibancada surgiram inclusive, como uma forma de protesto contra os assédios e violência às torcedoras nos estádios de futebol. O movimento ganhou força e diversos times brasileiros demonstraram seu apoio à causa – inclusive o Corinthians, que jogou com uniformes com a #respeitaasmina, que hoje ultrapassa a marca de 150 mil postagens no Instagram.